
| Arranco de Varsóvia renova o samba | |
| por Mauro Ferreira | O Globo [ 22-01-1997 ] |
Madrinha do grupo Fundo de Quintal, Beth Carvalho está abençoando outro conjunto de samba. No novo show da cantora - de volta ao cartaz hoje, às 19h, no Teatro Rival - um quinteto vem roubando a cena ao cantar samba com rara modernidade. É o Arranco de Varsóvia, formado há três anos por Muri Costa e Paulo Malagutti. Os dois chamaram as cantoras Eveline Hecker, Rita Peixoto e Soraya Ravenle para se juntar a eles. Festejado no meio do samba, o grupo já gravou seu primeiro CD, em fase de negociação com gravadoras. -- Procuramos ser fiéis às linhas melódicas dos sambas, mantendo a simplicidade e a alma do gênero - teoriza Paulo Malagutti. -- O grupo preserva o espírito carioca de cantar samba - acrescenta Rita Peixoto. -- Nosso som é festivo, tem a alma do Rio. De fato, o grupo tem levantado a platéia do Rival ao participar do show de Beth Carvalho, incentivadora do Arranco desde o começo (ex-vocalista de Beth, a cantora eveline Hecker se tornou amiga da sambista). No seu bloco, o conjunto apresenta o pagode "Rosalina", recria "Quem Me Vê Sorrindo", canta "Padroeira"" com Beth e apresenta "Nega do cAbelo Duro" com o arranjo original, apresentado pelo conjunto Bando da Lua nos anos 50. No disco - gravado com base no repertório testado pelo grupo nas casas noturnas há quase dois anos em show que tem direção de Túlio Feliciano - o Arranco solidifica a opção de cantar apenas samba. O repertório inclui Jóias de Paulinho da Viola ("Pra Ver as Meninas"), Gilberto Gil ("Amor Até o Fim"), Chico Buarque ("Biscate") e Paulinho da Viola ("Pãozinho de Açúcar"). -- O que nos diferencia é a radicalização no samba - ressalta Muri Costa. -- Preferimos ser chamados de grupo de samba do que de grupo vocal. Seja como for, os arranjos do Arranco dedicam especial atenção aos vocais (nem sempre em uníssono), sem desvalorizar os solos. Tudo com uma pulsação vigorosa e frescor raro no gênero. -- A gente quer que as pessoas percebam que é pop ser sambista -- resume Muri Costa. -- É um luxo cantar esses sambas. Bambas como Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz e Sombrinha já viram e aprovaram a receita do Arranco de Varsóvia, que é a versão atualizada de grupos vocais como Anjos do Inferno e Bando da Lua -- destaques nas paradas dos anos 30 aos 50. Luiz Carlos da Vila, por exemplo, foi figurinha repetida nos shows feitos pelo Arranco no ano passado. E já prometeu ao grupo sambas inéditos. -- Estou doido para ouvir um samba meu cantado por eles -- confirma Luiz Carlos da Vila. -- O trabalho vocal do Arranco é interessante. O grupo respeita a base do bom samba com modernidade e as meninas, além de cantarem muito bem, são bonitas e gostosas. Na estréia do show de Beth Carvalho, o Arranco ganhou mais um fã: o pesquisador musical Ricardo Cravo Albim. -- O conjunto tem personalidade e tudo para acontecer, se persistir nessa linha de recuperar a música brasileira com o hálito da originalidade -- avaliza Albim. O grupo foi batizado Arranco de Varsóvia porque três dos seus cinco integrantes (Eveline, Soraya e Paulo) são descendentes de poloneses. Mas a mistura é brasileira: nos shows, o quinteto requisita os percussionistas Laudir de Oliveira, Marcelo Costa, Sidon Silva e Marcelo Pizzoti para preservcar a cadência bonita do samba carioca. Um luxo só. |
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| Mistura de vozes dá bom samba | |
| O Globo [ 15-09-1996 ] | |
Gente nova caiu no samba para defender a velha bandeira da boa qualidade - ausente há tempos do samba tocado nas rádios. É o grupo Arranco de Varsóvia, que, a partir das 22h de hoje, vai ocupar o palco do Mistura Fina, na Lagoa, durante as noites de domingo. Atuante há cerca de dois anos na noite carioca, o quinteto é formado pelas vozes de Paulo Malaguti, Muri Costa, Eveline Hecker, Rita Peixoto e Soraya Ravenle. -- Somos três damas e dois valetes recrutando o samba de volta ao bom vocal -- define, de forma poética, Paulo Malaguti, também arranjador do grupo. A curiosidade do Arranco é que quase todos os integrantes vêm de família polonesa (daí o nome do grupo) e têm em comum a paixão pelo samba. -- O que o Arranco traz de bonito, nem digo de novo, é uma alegria carioca muito grande em cantar o samba -- diz Rita Peixoto. -- Eu posso dizer isso porque sou carioca. Não é um trabalho de recuperação do samba. Ele está tão na veia do carioca que é um prazer cantar. O show é alegre e o repertório é luxuoso. O Arranco de Varsóvia já gravou um disco, mas corre atrás "dessa coisa chamada gravadora", como lembra Rita. No show, sob as direção de Túlio Feliciano, eles cantam apenas samba. O roteiro das 16 músicas mescla temas da antiga -- caso de "Pra Que Discutir Com Madame", de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida -- com composições de autores mais contemporâneos como José Miguel Wisnik ("São Pasulo Riu"), Chico Buarque ("Biscate"), Martinho da Vila ("Pãozinho de Açúcar") e Gilberto Gil ("Até o fim"). Um dos destaques é o arranjo de "Nega do Cabelo Duro", transcrito fielmente do original interpretado pelo Bando da Lua. -- O show do Arranco é uma celebração da alegria -- diz o diretor Túlio Feliciano. -- Por onde passou, ele fez o maior sucesso. São 60 minutos de festa e vocais primorosos. Para quem gosta de samba de verdade, é um prato feito. Para quem não gosta, é a oportunidade... Outro que avaliza o som do Arranco de Varsóvia é o compositor e produtor musical Hermínio Bello de Carvalho. Ele conheceu o grupo através de Túlio Feliciano e convidou a turma para particvipar de seu CD "Cantoria". -- Eles são músicos ótimos e supercriativos -- elogia Hermínio. -- Além do mais, são pessoas imbuídas de ideais, coisa um tanto rara hoje em dia. |
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| Samba de Branco | |
| por Bernardo Araújo | Veja Rio [ 18-09-1997 ] |
Era uma vez cinco músicos que queriam fazer um grupo de samba. Mas onde já se viu sambistas com sobrenomes como Malaguti, Ravenle ou Hecker? O jeito foi levar a coisa na brincadeira já a partir do nome. Quando lançou seu primeiro CD, o Arranco de Varsóvia esbarrou em outro obstáculo. "Diziam que o trabalho era muito sofisticado e, portanto, não era comercialmente viável", lembra a talentosa branquela Eveline Hecker. Ao lado de Paulo Malaguti, Soraya Ravenle, Rita Peixoto e Muri Costa (os dois últimos mais moreninhos), ela afasta a praga e mostra a partir de quinta (14), no Hipódromo Up, o repertório do CD Quem É de Sambar. O Arranco dedica-se, por enquanto, a arranjar e interpretar sambas diversos de autores como Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e Sombrinha. "Queremos apresentar mais composições nossas, é a única maneira de mostrar uma cara 100% própria", diz Paulo Malaguti. Ex-integrante de outro grupo vocal, o Céu da Boca, ele foi o único músico do Arranco a contribuir com uma canção para o disco. No CD, a gravação do samba O Arranco de Varsóvia tem participação da madrinha Beth Carvalho. O auxílio de músicos consagrados, aliás, tem sido precioso. Além da força de Beth, eles participaram, há duas semanas, do show de Zeca Pagodinho no Imperator. "Cantamos para 3.000 pessoas e ninguém pareceu achar-nos sofisticados demais", conta Eveline. Além do repertório de Quem É de Sambar (que tem ótimas músicas como Quem Me Vê Sorrindo, de Cartola e Carlos Cachaça, Biscate, de Chico Buarque, e Pra que Discutir com Madame, de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), o quinteto mostra novidades. "Vamos cantar Medidas Provisórias, de Arlindo Cruz e Babi, Cabelo Pixaim, de Jorge Aragão, e algumas surpresas", adianta Paulo, que segura um bom violão ao lado de Muri. Além dos cinco cantores, o mesmo número de percussionistas vai ajudar a superpovoar o pequeno palco. |
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